― A última coisa que eu quero sentir é medo: medo da morte e medo do futuro. O medo da morte é o sentimento de encarar o fim, e o medo do futuro é o medo do que será das coisas que eu vou deixar no mundo.
― Mas isso parece deprimente. Por que não esperar uma morte com algum conforto e segurança?
― Sentir medo do fim deve significar, de certa forma, que eu tenho algum apego pela vida; e sentir medo do futuro significaria que eu tive capacidade de começar a produzir coisas novas, ao invés de simplesmente ficar na apatia esperando a morte. Afinal, é um grande conforto diante do fim.
domingo, 8 de maio de 2011
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Detalhes
— Por que você passa tanto tempo observando esse seu aquário?
— Porque me encanta como um sistema tão pequeno, montado por mim, é capaz de me mostrar algo novo todos os dias. Cada dia eu noto um traço de comportamento dos peixes, do desenvolvimento das plantas, do equilíbrio biológico; algo que estava lá e que eu não havia notado, ou que vai mudando aos poucos. Aliás, acho que isso acontece com quase tudo que é familiar.
— Como assim?
— Pode notar que as coisas mais familiares pra nós são, normalmente, aquelas a que a gente presta menos atenção. Me diverte ver como cada releitura traz à luz algum detalhe que antes passara despercebido.
— Porque me encanta como um sistema tão pequeno, montado por mim, é capaz de me mostrar algo novo todos os dias. Cada dia eu noto um traço de comportamento dos peixes, do desenvolvimento das plantas, do equilíbrio biológico; algo que estava lá e que eu não havia notado, ou que vai mudando aos poucos. Aliás, acho que isso acontece com quase tudo que é familiar.
— Como assim?
— Pode notar que as coisas mais familiares pra nós são, normalmente, aquelas a que a gente presta menos atenção. Me diverte ver como cada releitura traz à luz algum detalhe que antes passara despercebido.
Respeito pela vida
(…)
— Respeito pela vida não significa idolatrar ou não matar. A morte alimenta a vida, é um ciclo do qual a gente não pode escapar. Respeito significa não causar morte e/ou sofrimento desnecessários, nem se comprazer com essas coisas. Por isso acho que o vegetarianismo que tem como objetivo boicotar a engorda e abate de animais é sem sentido. Uma coisa é ter uma atitude contra o desperdício de carne (e de qualquer tipo de alimento), o que é louvável; outra, bem diferente, é abominar o consumo de qualquer tipo de carne só porque ela já foi viva.
(…)
— Respeito pela vida não significa idolatrar ou não matar. A morte alimenta a vida, é um ciclo do qual a gente não pode escapar. Respeito significa não causar morte e/ou sofrimento desnecessários, nem se comprazer com essas coisas. Por isso acho que o vegetarianismo que tem como objetivo boicotar a engorda e abate de animais é sem sentido. Uma coisa é ter uma atitude contra o desperdício de carne (e de qualquer tipo de alimento), o que é louvável; outra, bem diferente, é abominar o consumo de qualquer tipo de carne só porque ela já foi viva.
(…)
Os sistemas de pensamento
(…)
— Mas, se tem uma coisa que me deixa triste, é como muita gente por aí defende a Ciência de forma tão passional.
— Qual o problema em defendê-la?
— Bem, vai contra os princípios dela mesma. O grande diferencial da Ciência é a sujeição que as idéias têm à discussão e descarte, por mais antigas que sejam. Defendê-las com unhas e dentes é irracional, é avesso ao método científico. É bom que saibamos onde ela e os outros sistemas de pensamento humanos estão situados ao decidirmos falar sobre este ou aquele, e que deixemos nossos preconceitos pessoais em segundo plano ao tratar de tal assunto.
— Mas, se tem uma coisa que me deixa triste, é como muita gente por aí defende a Ciência de forma tão passional.
— Qual o problema em defendê-la?
— Bem, vai contra os princípios dela mesma. O grande diferencial da Ciência é a sujeição que as idéias têm à discussão e descarte, por mais antigas que sejam. Defendê-las com unhas e dentes é irracional, é avesso ao método científico. É bom que saibamos onde ela e os outros sistemas de pensamento humanos estão situados ao decidirmos falar sobre este ou aquele, e que deixemos nossos preconceitos pessoais em segundo plano ao tratar de tal assunto.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Animais e crianças
(…)
— Acho que uma das melhores formas de se passar o tempo é interagindo com animais e crianças.
— Por quê?
― Gosto de observar como agem. As pessoas adultas em geral são ponderadas em suas atitudes, e não costumam pensar em certas coisas aparentemente óbvias demais para serem consideradas. As crianças freqüentemente dizem coisas que vão direto nos nossos alicerces culturais e nos lembram da fragilidade estrutural deles. Já os animais me chamam atenção pelas reações de medo, alegria, etc. A identificação que tenho com elas me é um ótimo lembrete de que, por mais raciocínio lógico e tecnologia que tenhamos ou por mais intensos que nossos estados de espíritos possam ser, somos afinal tão animais e tão vivos quanto eles.
— Acho que uma das melhores formas de se passar o tempo é interagindo com animais e crianças.
— Por quê?
― Gosto de observar como agem. As pessoas adultas em geral são ponderadas em suas atitudes, e não costumam pensar em certas coisas aparentemente óbvias demais para serem consideradas. As crianças freqüentemente dizem coisas que vão direto nos nossos alicerces culturais e nos lembram da fragilidade estrutural deles. Já os animais me chamam atenção pelas reações de medo, alegria, etc. A identificação que tenho com elas me é um ótimo lembrete de que, por mais raciocínio lógico e tecnologia que tenhamos ou por mais intensos que nossos estados de espíritos possam ser, somos afinal tão animais e tão vivos quanto eles.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Arte religiosa
— 'Tá ouvindo música de igreja, é?, haha.
— Sim. É a Missa em Si Menor, de Bach.
— Pensei que você, mais que todos que conheço, tivesse aversão a religiosidade.
— Tenho; mas isso não me impede de apreciar uma composição maravilhosa como Christe Eleison.
— Mas a Missa e muitas outras produções artísticas são resultado da devoção de seus autores, não?
— Claro. São pequenas jóias em forma de sons, cores e formas, mas o preço que a humanidade pagou por elas foi alto demais: irracionalidade e injustiça durante muitos séculos, e os vestígios ainda estão presentes atualmente. Se a Igreja Católica não tivesse existido, muito sangue teria sido poupado nos livros de História e provavelmente não teríamos estas jóias.
— Pois é. Eu preferiria que o sangue tivesse sido poupado, mesmo que hoje não tivéssemos essas produções.
— Eu também. Mas se você já pagou por uma jóia muito boa e descobriu que ela não valia tudo isso, a decisão mais acertada seria continuar usufruindo dela e tomar cuidado para que os abusos não voltem a acontecer no futuro, não?
— Sim. É a Missa em Si Menor, de Bach.
— Pensei que você, mais que todos que conheço, tivesse aversão a religiosidade.
— Tenho; mas isso não me impede de apreciar uma composição maravilhosa como Christe Eleison.
— Mas a Missa e muitas outras produções artísticas são resultado da devoção de seus autores, não?
— Claro. São pequenas jóias em forma de sons, cores e formas, mas o preço que a humanidade pagou por elas foi alto demais: irracionalidade e injustiça durante muitos séculos, e os vestígios ainda estão presentes atualmente. Se a Igreja Católica não tivesse existido, muito sangue teria sido poupado nos livros de História e provavelmente não teríamos estas jóias.
— Pois é. Eu preferiria que o sangue tivesse sido poupado, mesmo que hoje não tivéssemos essas produções.
— Eu também. Mas se você já pagou por uma jóia muito boa e descobriu que ela não valia tudo isso, a decisão mais acertada seria continuar usufruindo dela e tomar cuidado para que os abusos não voltem a acontecer no futuro, não?
Poder
(…)
— Não entendo a fixação que certas pessoas têm por dinheiro e poder aquisitivo.
— Vai dizer que você acha que dinheiro não é importante?
— Não que eu não ache importante; apenas acho que não deve ser o foco nas nossas vidas.
— Ha, você diz isso porque nunca passou necessidade.
― Não foi isso que quis dizer. Acho que ter e/ou ganhar dinheiro é bom, mas ele não deve ser uma finalidade. Digo, ele nos permite o luxo de darmos atenção ao nosso crescimento cultural e pessoal, mas apenas se for uma ferramenta para o cultivo de trabalhos, estudos e hobbies saudáveis. Acho que a obtenção de bens e poder aquisitivo como uma meta torna-se um ciclo vicioso em que a pessoa não usufrui daquilo que conquistou pois nunca parece ter o suficiente. Poder adquirir cada vez mais sem jamais fazê-lo.
— Não entendo a fixação que certas pessoas têm por dinheiro e poder aquisitivo.
— Vai dizer que você acha que dinheiro não é importante?
— Não que eu não ache importante; apenas acho que não deve ser o foco nas nossas vidas.
— Ha, você diz isso porque nunca passou necessidade.
― Não foi isso que quis dizer. Acho que ter e/ou ganhar dinheiro é bom, mas ele não deve ser uma finalidade. Digo, ele nos permite o luxo de darmos atenção ao nosso crescimento cultural e pessoal, mas apenas se for uma ferramenta para o cultivo de trabalhos, estudos e hobbies saudáveis. Acho que a obtenção de bens e poder aquisitivo como uma meta torna-se um ciclo vicioso em que a pessoa não usufrui daquilo que conquistou pois nunca parece ter o suficiente. Poder adquirir cada vez mais sem jamais fazê-lo.
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